BIBLIOTECA: prevenção no uso de drogas

13 maio
O uso e o abuso de drogas é um tema que merece atenção quando pensamos sobre promoção da saúde e da cidadania. Daniel de Souza, facilitador regional da equipe Jacarezinho do RAP da Saúde, alerta que, para o avanço do debate e das políticas na área, é fundamental superar o moralismo que ainda envolve a questão das drogas lícitas e ilícitas e que estigmatiza os usuários.
A abordagem da redução de danos é um caminho interessante para tratar a questão das drogas sem moralismo e com respeito aos usuários

A abordagem da redução de danos é um caminho interessante para tratar a questão das drogas sem moralismo e com respeito aos usuários

“Temos que trabalhar na perspectiva da redução de danos. As estratégias de redução de danos dizem respeito a um conjunto de princípios e ações para a abordagem dos problemas relacionados ao uso abusivo de drogas. Inclui as drogas lícitas, como o álcool, que apesar de ser legalizado é considerado uma das drogas mais prejudiciais à saúde, e drogas ilícitas, como o crack, por exemplo.”, aponta Daniel.

A situação é ainda mais delicada quando envolve jovens e adolescentes – grupo populacional em que a conscientização sobre o uso de drogas é ainda mais necessária, já que nesta fase da vida a curiosidade e o desejo de novas experiências ganham força. Para isso, é importante que as ações de conscientização sejam feitas de forma atraente, dinâmica e contextualizada para a realidade dos jovens.

Neste contexto, um desafio importante é superar o preconceito sofrido pelos usuários de drogas. “Muitos dos danos derivados do consumo de drogas decorrem do estigma que envolve o usuário e algumas drogas. Usuários de drogas em geral e, sobretudo os usuários de crack, carregam consigo estigmas e preconceitos muito fortes. O usuário de drogas é estigmatizado, pelo menos, sob três pontos de vista: o da Justiça, que o vê como delinquente; o da Saúde, que o  vê  como doente;  e o  da religião, que o  vê  como  pecador. Esses preconceitos prejudicam ações de prevenção e promoção da saúde e podem – e devem – ser superados com políticas públicas e ações de conscientização”, defende o facilitador regional da equipe Jacarezinho do RAP da Saúde.

Daniel explica que a injustiça social, desagregação familiar, o isolamento, o racismo, a marginalização, a pobreza, a violência, a busca por identidade, dentre outros fatores, afetam a autonomia das pessoas, especialmente os jovens, bem como lesam suas capacidades para reduzir danos e adotar comportamentos mais saudáveis e seguros. “Portanto, não se trata de fechar os olhos para o poder destrutivo que pode haver no uso de drogas, mas, sim, de pensar no tratamento de um possível mau uso, afastando o moralismo que impossibilita o usuário de participar do processo da manutenção de sua saúde e de sua vida”, conclui.

Confira referências e materiais educativos que podem contribuir para o debate em torno do tema do uso e abuso de drogas lícitas e ilícitas:

II LenadII Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD II) é uma pesquisa de representatividade nacional, desenvolvida pelo Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas da Universidade Federal de São Paulo (INPAD/Unifesp) sobre os padrões de consumo de álcool, tabaco e drogas ilícitas pela população brasileira.  A pesquisa aborda a dependência de álcool, maconha e cocaína, bem como possíveis fatores de risco ou proteção associados ao desenvolvimento de dependência química, como a prática de relações sexuais sem o uso do preservativo.Entre os resultados, constatou-se, entre os anos de 2006 e 2012, a redução de 20% no consumo de tabaco na população brasileira. Entre os adolescentes, essa queda foi ainda mais expressiva, de 45%. Por outro lado, no que se refere ao consumo de cocaína, os dados são alarmantes: embora tenha sido verificado que 48% dos usuários da droga são dependentes, apenas 1% procurou tratamento. O estudo também traz dados interessantes sobre o consumo de maconha. Verificou-se que mais da metade dos usuários experimentou a droga ainda na adolescência e que 75% dos entrevistados não concordam com a legalização da maconha no Brasil.  Além do relatório final sobre a pesquisa, os resultados estão organizados em torno de cinco temas: álcool, maconha, cocaína e crack, tabaco e comportamentos de risco. Acesse o site do INPAD e veja o resultado da pesquisa na íntegra.

Manual de Prevenção do Uso de DrogasManual de Prevenção do Uso de Drogas para Mediadores, da Associação Humanidades, ressalta a importância do mediador na prevenção ao uso de drogas, na medida em que este ator social é capaz de estimular a capacidade de reflexão do grupo onde atua,  contribuindo para a conscientização sobre os efeitos e as consequências  do consumo de drogas e criando bases para a responsabilidade social dos jovens. O papel do mediador pode ser assumido por pais, professores, profissionais de saúde, lideranças comunitárias ou mesmo por outros jovens. A ideia é que, reconhecendo a adolescência como uma fase complexa de descobertas e escolhas, o mediador possa reforçar os laços de amizade com os jovens,  dando-lhes apoio e compreensão. A publicação está organizada em três partes: a primeira apresenta uma abordagem conceitual das drogas, com as características e efeitos de cada uma; a segunda aponta a importância da mediação social; e a terceira traz sugestões de dinâmicas de grupo para a intervenção preventiva. Com a leitura do manual, fica claro que proibições e críticas inflexíveis e negativas produzem um efeito de afastamento dos jovens. Por isso, é fundamental que o mediador reconheça a necessidade de independência do  jovem, apoiando e orientando as suas iniciativas em um  espaço onde ele possa expressar os  seus valores e as suas opiniões, dialogar e ter meios para  uma tomada de decisão  bem informada.

guia prático para prevenção de drogasGuia Prático para Programas de Prevenção de Drogas, da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein, tem como objetivo instrumentalizar escolas a trabalharem com um programa de prevenção ao uso de drogas inserido no cotidiano escolar. As informações são destinadas preferencialmente aos professores, importantes agentes de prevenção, sobretudo pelo vínculo afetivo e educativo com os alunos. O conteúdo do guia foi elaborado para a capacitação dos educadores que atuarão na prevenção do uso de drogas, sob a perspectiva de que o papel da escola é educar crianças e jovens a buscarem e desenvolverem sua identidade e subjetividade, promover e integrar a educação intelectual e emocional, incentivar a cidadania e a responsabilidade social e garantir que eles incorporem hábitos saudáveis no seu cotidiano. Trata-se de discutir o projeto de vida dos alunos e da sociedade, ao invés de recorrer ao amedrontamento gerado  pela ênfase excessiva nas consequências do uso de drogas. Nesse sentido, o guia propõe estratégias como treinamento de habilidades pessoais e sociais, em que os jovens aprendem, por exemplo, a lidar com a introspecção, o estímulo à  educação afetiva e a promoção do ensino sobre saúde.

dinâmicas de grupo para prevenção do uso de drogasO artigo Prevenção de Drogas: Maximizando Resultados por meio de Dinâmicas de Grupo é um relato de experiência que resulta do projeto Instrumentalização da População Acadêmica e Familiares de Calouros em Relação a Prevenção em Drogas, desenvolvido pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). O projeto de dinâmica de grupo foi realizado com jovens inseridos no ambiente acadêmico, que de acordo com o estudo estão em situação de vulnerabilidade para o desenvolvimento do alcoolismo. A ideia é reforçar a prevenção também no Ensino Superior,  discutindo questões relativas ao uso e dependência de substâncias lícitas e ilícitas, e criar caminhos para realizar a prevenção junto à comunidade acadêmica.

ideias para prevenção de drogasO blog da pedagoga Cristiane Mendes disponibiliza atividades que ajudam a colocar em prática o tema da prevenção do uso de drogas. Todas as dinâmicas apresentam o objetivo, o material necessário, as instruções e, em muitos casos, dicas para potencializar os resultados. As ações tem propostas variadas e buscam estimular o diálogo, a reflexão e o empoderamento dos jovens.

eu quero parar de usar drogas e nao consigoEu quero parar de usar drogas e não consigo. O que eu faço? Coleção Conversas do AfroReggae nasceu com o desejo de facilitar diálogos que mutias vezes podem parecer impossíveis. Conversar é entrar em mundos diferentes, é conhecer novas opiniões. Esta sétima edição do Coleção Conversas tem a perspectiva de ajudar usuários de drogas que desejam superar a dependência. Segundo a pubicação, procurar ajuda é o primeiro passo para largar o vício.

 

rap da saudeInfluências: o vídeo produzido pelo RAP da Saúde conta a história de Frederico, adolescente com poucas possibilidades de diálogo com a família e acostumado a ver o pai consumir álcool diariamente. A narrativa deixa clara a importância do exemplo familiar, do vínculo afetivo e da necessidade do debate e da troca de ideias na vida dos jovens, que, durante a adolescência, estão mais propensos a frequentar ambientes em que se faz uso de drogas lícitas e ilícitas. Exibir o vídeo pode ser um ótimo ponto de partida para iniciar o debate sobre o uso de drogas.

 

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