DEU CERTO! Paternidade e protagonismo juvenil

6 ago

postal da paternidadeQual o papel do pai no crescimento e desenvolvimento de seus filhos? Como os serviços de saúde podem contribuir para o fortalecimento de vínculos familiares e o envolvimento dos pais no cuidado com seus filhos? Esta é a temática do vídeo ‘O pai está’, produzido pela Rede de Adolescentes e Jovens Promotores de Saúde (RAP da Saúde).

O lançamento do vídeo, nesta quinta-feira, 1 de agosto, marcou a abertura do XI Mês de Valorização da Paternidade campanha promovida pelo Comitê Vida, grupo de trabalho intersetorial coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-RJ). Ao longo do mês, diversas ações de promoção da saúde acontecem em toda a cidade, em torno do tema Paternidade e Diversidade. O objetivo é promover reflexões e debates sobre os diversos modelos de família e as várias formas de se exercer a paternidade e o cuidado paterno. Confira a programação do Mês de Valorização da Paternidade 2013.

Ficção mesclada com documentário, o vídeo mostra situações reais em que “o pai está”; em que o pai ocupa posições e protagoniza ações que tradicionalmente são consideradas como de responsabilidade exclusiva da mãe. Além de cenas produzidas em que os jovens do RAP retratam a presença de pais e mães nos serviços de saúde, a narrativa traz depoimentos de pais, considerando toda a diversidade que está presente na paternidade.

No vídeo, Vitor Candido da Silva e Tallyssiane Aleixo, jovens dinamizadores do RAP da Saúde que atuam na Clínica da Família Anthidio Dias da Silveira, no Jacarezinho, interpretam um pai e uma mãe em visita a uma unidade de saúde. “Interpretar um pai não foi fácil, porque eu não tive um pai presente. Mas eu pude me inspirar em jovens do RAP que já são pais e em exemplos mais próximos, como o meu avô”, compartilha Vitor.

Tallyssiane, que também não tem filhos, buscou inspiração na própria mãe. “Eu conversei com ela sobre como é ser mãe, ela me deu alguns conselhos, por exemplo, como segurar um bebê, para eu poder interpretar a mãe na unidade de saúde. A experiência foi ótima!”, comemora.

O pai está: visita da família à unidade de saúde é ponto de partida para debate sobre paternidade

O pai está: visita da família à unidade de saúde é ponto de partida para debate sobre paternidade

Na cena interpretada por Vitor e Thallyssiane, um pai acompanha a mãe e o filho bebê à unidade de saúde, mas é impedido de entrar na consulta. A partir daí, conhece outros pais que estão na unidade de saúde e, conversando com eles, dá visibilidade a outros modelos de pai: desde o que leva o filho sozinho para as consultas médicas até o homem que acompanha a mulher porque é “obrigado” por ela.

A coordenadora do RAP da Saúde, Viviane Manso Castello Branco, ressalta que além de contribuir para a reflexão sobre o tema da paternidade, a produção do vídeo investe em uma metodologia estratégica para a promoção da saúde: a educação para transformação, por meio de técnicas do cinema. “O RAP da Saúde tem tradição na produção de vídeos, por meio da metodologia Cineduc, orientada por Anna Rosaura e Claudio Doreto. Nesse trabalho apostamos na autonomia dos jovens para definir temáticas, abordagens e linguagens, sempre supervisionados por profissionais da área. Um esforço coletivo que tem dado muito certo”, avalia Viviane, que também é coordenadora de Políticas e Ações Intersetoriais da Superintendência de Promoção de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

Paternidade e Diversidade em debate

 A exibição do vídeo ‘O pai está’ foi o ponto de partida para o debate sobre Paternidade e Diversidade. Participaram da atividade Maria Luiza Carvalho, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo César Matos, da Superintendência de Atenção Primária da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS); Luis Fernando Moreira, da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer do Rio de Janeiro (SMEL); Marco Aurélio Martins, do Instituto Promundo; Maria das Dores, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME); Marcos Diniz, estagiário do RAP da Saúde e arte-educador; e Bruno Soares, que foi pai durante a adolescência e participa do vídeo.

Pai, você é muito importante para o sucesso da amamentação!

Pai, você é muito importante para o sucesso da amamentação!

Maria das Dores deu início ao debate levantando a questão: o que significa ser homem em nossa sociedade? “Me chamou a atenção no vídeo  a tentativa do homem, pai, buscar o seu espaço dentro do serviço de saúde. E essa é uma preocupação que deve perpassar toda a sociedade: nós, mulheres, que precisamos nos colocar como mães que apoiam o cuidado paterno, e também os profissionais de saúde, que são essenciais na relação dos homens com os serviços de saúde”, ressaltou.

 Maria Luiza apontou o protagonismo juvenil como uma ação estratégica para a valorização da paternidade nos serviços de saúde e o exercício do cuidado paterno: “O protagonismo dos cidadãos é fundamental para a construção e o aprimoramento do Sistema Único de Saúde (SUS). E os jovens têm um papel muito importante nesse processo, no sentido de manifestar as suas insatisfações, de utilizar meios como o cinema, o vídeo para fazer a sua voz ser ouvida. Por isso estou muito emocionada de ver esse auditório repleto de jovens – de jovens homens e mulheres que com certeza estão diretamente envolvidos com a valorização da paternidade”.

 Para Paulo César Mattos, alavancar esse debate nas unidades de saúde, nas escolas e em todos os espaços institucionais que estão envolvidos em ações de cuidado é fundamental. “Há algumas décadas, a mulher entrava na unidade de saúde para fazer os exames do pré-natal; o homem ia à unidade de saúde para tratar tuberculose; e nós, médicos, íamos às escolas e falar sobre doenças. Hoje isso está mudando. E as ações de promoção da saúde, como a realização do Mês de Valorização da Paternidade, são essenciais para repensarmos o papel do homem e a sua presença na unidade de saúde. Da mesma forma, o protagonismo juvenil é responsável por diversas inovações na interface entre Saúde e Educação. Percebemos essa tendência claramente com o trabalho do RAP da Saúde, com jovens que vão para as escolas falar com jovens sobre saúde – e não sobre doença”, avaliou Paulo.

 Homens, pais e famílias

Os diferentes modelos de pai e as diversas formas de exercer a paternidade e o cuidado paterno também estiveram em pauta. Luis Fernando Moreira dividiu a sua experiência pessoal: “A questão dos modelos de paternidade sempre foi delicada para mim. Eu não convivi com o meu pai biológico e o meu pai de criação faleceu quando eu tinha sete anos. Então eu sempre prestei muita atenção nessa questão dos modelos. O que eu venho notando nos espaços comunitários e esportivos são os dois extremos: ou o pai que não participa da vida dos filhos ou o pai que está tão próximo, que se confunde com o filho. O meio termo, que seria o mais saudável, ainda é difícil de se encontrar”, contou Luis Fernando, durante o debate.

 Para Marco Aurélio Martins, do Instituto Promundo, instituição parceira do Comitê Vida, o debate sobre a paternidade é essencial para o estímulo à participação de homens em ações de promoção da equidade de gênero e no enfrentamento à violência doméstica e à violência contra a mulher. “Diversos estudos indicam que homens que vivenciaram o cuidado paterno na infância tendem a se tornar cuidadores, a estar mais envolvidos com o cuidado dos filhos e da família. Tendem, também, a ser menos violentos, contribuindo para uma família saudável”, informou Marco Aurélio.

Ele também defendeu a inclusão de outros homens, que não são pais, nesse processo. “É preciso valorizar o homem como cuidador, independentemente dele ser pai ou não. Reconhecer o homem como um cuidador é quase subversivo em uma sociedade em que o homem é educado para ser o provedor e a mulher a cuidadora. O vídeo é impecável nesse sentido, tanto no âmbito da produção técnica quanto no da campanha, pois coloca o homem como fio condutor desse processo, no centro da narrativa. A maioria dos materiais sobre essa temática colocam o homem como o agressor, como a pessoa que precisa mudar. E isso afasta o homem do debate, pois ele não se reconhece. Por isso uma das maiores qualidades desse vídeo, para mim, é o reconhecimento do homem como um cuidador e a abordagem positiva do papel do homem”, opinou.

Marcos Diniz, estagiário do RAP da Saúde e arte-educador, que participou da produção do vídeo concordou. “Eu não sou pai, mas o meu pai é o meu grande exemplo e eu tive a sorte de ter outras figuras masculinas que foram muito importante para mim. Por que o pai é menos importante na vida de um filho? Se ele também fez, ele também tem obrigações – e direitos”, declarou o jovem. Como arte-educador no Complexo do Alemão, Marcos tem observado diversas percepções sobre o que é ser pai. “A referência masculina muitas vezes é o traficante ou o policial. Eu fico muito feliz em poder ser uma alternativa a esses modelos para tantas crianças. Isso me fortalece muito como pessoa, como homem e como futuro pai”, reconheceu.

Representando os pais jovens, Bruno Soares participou do debate, observado pelo filho Miguel e a esposa Ana Carolina, grávida do segundo filho do casal. “Eu não tive um modelo de pai. Quando eu soube aos 20 que seria pai, não tive com quem conversar sobre isso, tive que me virar. Caiu a ficha: eu vou ser pai! E agora busco proporcionar ao meu filho toda a vivencia que eu não pude usufruir com o meu pai. Então, apesar de trabalhar muito, todos os dias, eu procuro me dedicar ao máximo ao meu filho. Estar presente na escola, na unidade de saúde, no estádio de futebol”, finalizou Bruno.

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